A publicação do Projeto Circular discute o anúncio de reformas e modificações contundentes na Praça Brasil, localizada na intersecção entre o bairro Umarizal e Telégrafo, a praça que foi inaugurada em 1935 possui mais de 90 anos de história. As reformas foram autorizadas sem consulta prévia com a população e levantam questionamento acerca dos rumos das modificações que têm sido implantadas na cidade. Segundo a arquiteta Cybelle Salvador Miranda, professora doutora e coordenadora do Laboratório da Memória e Patrimônio Cultural (LAMEMO/UFPA), apesar de reformas e manutenção do espaço público serem necessárias, questiona-se os critérios usados para orientar tais transformações, especialmente em um espaço tradicional como o da Praça Brasil, cuja sombras das árvores abriga um espaço vivido e muito utilizado para diferentes atividades.
“As imagens veiculadas são assustadoras pela falta de detalhamento técnico, pelo uso de cores padronizadas que não têm relação com as cores tradicionais das nossas praças, pela lógica de espetacularização do espaço e, principalmente, por trazer uma concepção de que todos os espaços verdes devem ser parques”
Uma das principais problemáticas acerca do anúncio é a como as reformas irão afetar a arborização da praça considerando que os empreendimentos do tipo que foram construídos na cidade nos últimos anos colocam em segundo plano a importância da arborização no contexto do clima amazônico e das mudanças climáticas. A falta de participação popular em uma decisão que afeta grandemente os espaços públicos levanta o questionamento sobre se os aspectos que são priorizados pelas modificações estão em consonância com as demandas da comunidade e as ligações entre os usuários e o espaço.
“No mundo atual, tão ávido por novidades, muitas vezes o que esperamos é ter alguma referência de permanência e tranquilidade” Diz a professora, em entrevista para o Projeto Circular.
Link para acessar a reportagem: Praça Brasil, um parque urbano?



